Porta-voz da Prefeitura de Aracaju ataca deputada Yandra com comentário machista e recebe resposta firme

“Essa moça, filha de André” — Porta-voz da Prefeitura de Aracaju ataca deputada com comentário machista e recebe resposta firme de Yandra Moura.

O debate sobre o lixo em Aracaju virou palco de algo ainda mais alarmante: a violência política de gênero. A deputada federal Yandra Moura (UB) usou suas redes sociais para cobrar explicações sobre o caos na coleta de lixo na capital. Mas a resposta que recebeu do porta-voz da Prefeitura escancarou o que muitas mulheres já conhecem de perto: o tom desdenhoso, paternalista e agressivo que ainda marca a forma como parte dos homens tenta calar vozes femininas no poder.

Carlos Ferreira, jornalista e atual porta-voz da Prefeitura de Aracaju, comentou em uma publicação da @revistarealce sobre o caso, em tom que muitos identificaram como carregado de machismo e misoginia.

Em um trecho do comentário, ele afirma:

“Yandra Moura, ou Yandra de André, tem o direito de criticar e cobrar. Mas precisa se informar primeiro, para não falar bobagem. Como deputada federal, o que essa moça fez por Sergipe, na prática, além de ser filha de André Moura?”

A tentativa de desqualificar a atuação da deputada pelo fato de ser mulher e de reduzir sua trajetória a vínculos familiares acendeu um alerta. A expressão “essa moça” foi vista por muitos como um típico exemplo de condescendência machista, que tenta infantilizar e diminuir mulheres que ocupam posições de liderança.

A fala seguiu com mais ataques pessoais:

“Uma deputada fabricada, sem brilho próprio. Desce do palanque, Yandra, e cuide de viabilizar recursos para ajudar o povo de Aracaju.”

A resposta da deputada não demorou — e veio com a firmeza que o momento exigia:

“Carlos Ferreira, em primeiro lugar, me respeite. Querer desqualificar o meu trabalho com sexismo só evidencia uma tentativa covarde de silenciar vozes femininas na política.”

Yandra foi além, ao lembrar que, justamente em uma gestão liderada pela primeira mulher eleita prefeita de Aracaju, o discurso de um homem que ocupa posição institucional deveria ser o primeiro a respeitar os avanços femininos na política:

“Lamento profundamente que a primeira mulher eleita prefeita de Aracaju tenha como porta-voz um homem que se utiliza de ataques machistas e de violência de gênero para tentar me intimidar. É um triste retrocesso, justamente quando deveríamos estar celebrando os avanços da participação feminina com respeito e responsabilidade.”

A deputada ainda rebateu uma acusação falsa feita por Carlos, que disse que ela teria votado contra a anistia de pessoas presas injustamente:

“Quero lamentar aqui publicamente o despreparo de um jornalista que, na ânsia de defender o próprio emprego, recorre a recursos vergonhosos, como o uso de fake news. Sim, porque a Anistia sequer foi pautada na Câmara.”

A repercussão do caso incendiou os comentários nas redes. Internautas apontaram que esse tipo de ataque não é isolado, mas representa uma cultura que tenta sufocar a presença feminina em espaços de poder. E, como mostrou Yandra, não há mais espaço para o silêncio.

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