Jogo Duplo? O Enigma da Relação entre Fábio Mitidieri e Edvaldo Nogueira em Meio às CPIs e as Costuras para 2026

Em tempos de articulações antecipadas para 2026, os bastidores da política sergipana vivem dias de especulação e leitura nas entrelinhas. O ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), figura histórica do campo progressista e aliado de primeira hora do governador Fábio Mitidieri (PSD), vê-se agora no centro de um turbilhão político com contornos de contradição e suspeita.

Nos microfones de duas emissoras de rádio da Capital nesta última semana, o governador fez questão de afirmar que tem o apoio de 21 dos 26 vereadores de Aracaju em sua base, evidenciando seu controle político sobre a Câmara Municipal. Mais do que isso, Mitidieri afirmou que a relação harmoniosa da Casa com a gestão da prefeita Emília Corrêa (PL) se dá com sua anuência expressa. Detalhe importante, a prefeita integra um partido adversário e venceu o pleito contra o grupo apoiado por Edvaldo Nogueira.

O presidente da Câmara, Ricardo Vasconcelos (PSD), homem de confiança do governador, é quem pauta os temas que ganham corpo no legislativo municipal. E foi justamente nesta semana que duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) foram abertas. A CPI do Natal Iluminado, que mira contratos realizados no apagar das luzes da gestão de Edvaldo, e a CPI das Multas da SMTT, que também recai sobre o ex-prefeito.

As duas CPIs, embora tenham como pano de fundo a transparência e o zelo com o dinheiro público, caem como uma bomba no projeto político de Edvaldo, que articula sua pré-candidatura ao Senado. Em tese, seu nome estaria na mesa para compor a chapa majoritária ao lado do governador,, que buscará a reeleição. Mas os sinais mais recentes lançam dúvidas sobre a lealdade dessa aliança.

Mitidieri, no evento do programa ‘Sergipe é Aqui’ realizado em Feira Nova, fez questão de citar nomes que comporiam praticamente sua chapa para 2026. Entre os mencionados, o ex-deputado federal André Moura (União), a quem chamou de “meu senador”, o atual senador Alessandro Vieira (MDB), com quem articula uma aliança, e três potenciais vices, Jefferson Andrade (PSD), Zezinho Sobral (PSB) e Priscila Felizola (PSD).

Nenhuma menção a Edvaldo Nogueira. Nenhuma.

Diante disso, cresce a interrogação nos bastidores. Fábio Mitidieri está construindo de forma silenciosa uma saída lateral para o ex-prefeito de Aracaju? Ou as CPIs são apenas uma manobra para acomodar pressões internas e evitar críticas de complacência com aliados do passado?

Importa lembrar que nas eleições de 2022, quando Edvaldo Nogueira estava em alta como prefeito de Aracaju e liderando pesquisas para o governo do estado, foi preterido em nome de Mitidieri, escolha articulada pelo então governador Belivaldo Chagas (Podemos). Edvaldo, à época, acatou a decisão, somou à campanha, mas agora parece novamente ser colocado no banco de reservas, mesmo sendo um nome com peso político e recall popular.

Uma recente pesquisa espontânea para o governo estadual apontou Edvaldo com quase 20% das intenções de voto, mesmo sem se colocar como candidato, enquanto Mitidieri, já ocupando o cargo e em pré-campanha, figura com cerca de 30%. Isso reacende o debate. O governador vê no aliado um potencial concorrente dentro do próprio grupo?

Alguns aliados chegaram a cogitar que Edvaldo estivesse sendo preservado para uma eventual candidatura à Prefeitura de Aracaju em 2028 com apoio do grupo de Fábio. Seria, em tese, uma reedição de um ciclo. No entanto, já é voz corrente entre lideranças locais que o nome preferido do governador para essa missão é o do presidente da Câmara, Ricardo Vasconcelos. E não se trata mais de especulação. O próprio Ricardo já afirmou publicamente que será o primeiro suplente de André Moura na disputa ao Senado em 2026, o que o posiciona no núcleo central das articulações da chapa governista.

Diante desse cenário, uma pergunta emerge com ironia inevitável. Estaria na hora de Edvaldo Nogueira migrar para outras bandas e aceitar sua fritura como um peru em um Natal Iluminado?

A política, como se sabe, não se move apenas pelas palavras ditas. Ela se revela, muitas vezes, nos silêncios. E nesse caso, o silêncio de Fábio Mitidieri sobre Edvaldo Nogueira pode estar dizendo muito mais do que aparenta.

Afinal, para 2026, Fábio Mitidieri quer Edvaldo como parceiro de chapa ou como adversário discreto e neutralizado?

A resposta, por enquanto, continua nos bastidores. Mas o tabuleiro está em movimento. E as peças estão sendo posicionadas com estratégia.

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