
O prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho (PL) segue sendo o barão eleitoral do Agreste sergipano, isso é inegável. Foram cinco mandatos como vereador no município serrano, dois mandatos consecutivos como prefeito, a eleição do sucessor Adailton Sousa (PL) e, em 2024, o retorno triunfal à prefeitura para o seu terceiro mandato. Mas não parou por aí. Em 2018, fez do filho Talysson (PL) deputado estadual. Em 2022, ampliou o domínio, Marcos Oliveira (PL) também eleito para a Alese, e outro filho, Ícaro (PL), garantido na Câmara Federal. Em 2024, emplacou novamente Talysson, desta vez como prefeito de Areia Branca, cidade vizinha, também encravada na Serra.
É um império político erguido ao longo de mais de três décadas, parte dele ao lado do saudoso Chico de Miguel, sustentado na popularidade, no contato direto com o povo e em uma narrativa de “homem simples que venceu”. Muitos o chamam de “fenômeno de votos”. Mas há quem, nos bastidores, já diga com sarcasmo, o “pato” que encanta multidões anda falando demais, e talvez tenha virado peixe. E peixe, quando fala demais, morre pela boca.
Depois de quase se tornar governador em 2022, com votos para o segundo turno, mas barrado pela Justiça, Valmir agora tem, em 2026, a chance de subir de patamar. A oportunidade está dada ao lado da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL), pode entrar de vez na articulação da chapa de oposição ao governador Fábio Mitidieri (PSD). O nome de Thiago de Joaldo (PP) já circula como possível cabeça de chapa. Se Valmir entrar, pode se consolidar como uma liderança estadual. Se ficar de fora, corre o risco de virar figurante da própria história. Mas enquanto olha para o alto, talvez não perceba o que cresce sob seus pés.
Anderson de Zé das Canas (MDB), itabaianense da gema, foi vereador por quatro mandatos na cidade e prefeito reeleito em Frei Paulo. Em 2024, elegeu seu sucessor, Rafael da Vidraçaria (PSD), e agora aparece bem nas pesquisas internas para deputado federal. Com o retorno a Itabaiana, Anderson não volta só, vem ladeado de uma força que pesa: Luciano Bispo (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa, deputado em seu quarto mandato consecutivo, e quatro vezes prefeito de Itabaiana, conhece a política da Serra como poucos. Se Valmir tem clã, Anderson tem aliança. E com alguém que já sabe o caminho das urnas por dentro e por fora.
Fontes ouvidas pelo Bancada Sergipana afirmam que Anderson tem um plano bem traçado. Ganhando ou não para federal em 2026, o projeto é disputar a prefeitura de Itabaiana em 2028. E não está sozinho.
A disputa está desenhada: de um lado, Valmir tentando alçar voos estaduais; do outro, Anderson costurando silenciosamente a retomada local. Enquanto isso, os sinais de desgaste já começam a aparecer. Há quem diga que Valmir fala demais, que insiste em discursos cheios de recados, bravatas e autoelogios. O que antes mobilizava, hoje provoca olhares cruzados até dentro do seu próprio grupo.
O Agreste está em ebulição. E o confronto não será pequeno. 2026 será o ano da balança para Valmir. Se entrar na articulação da chapa de oposição e ajudar a viabilizar um novo ciclo político estadual, pode sair gigante.
Mas se ficar de fora e assistir Anderson se eleger deputado federal e Luciano renovar para o quinto mandato na Alese, pode terminar o ciclo ladeira abaixo. A história está pronta. A disputa está posta. E talvez, desta vez, o peixe encontre o anzol dentro do próprio tanque.





