
Por que o presidente mantém apoio social, mas segue sob desconfiança de parte decisiva do eleitorado
A pesquisa Genial/Quaest divulgada em janeiro de 2026 funciona como um termômetro preciso do momento político do país. Os números não indicam colapso do governo Lula, mas revelam um quadro de desgaste persistente, com sinais claros de dificuldade para ampliar apoio além de suas bases tradicionais Genial Quaest – 14.01 – Pesquis….
A desaprovação ao trabalho do presidente supera a aprovação no resultado consolidado. Não se trata de um ponto fora da curva. A série histórica mostra que esse movimento vem se mantendo desde 2025, o que sugere um problema estrutural de percepção, e não uma reação conjuntural a episódios específicos. O governo parece ter encontrado um teto político que ainda não conseguiu romper.
O recorte regional ajuda a explicar essa dinâmica. O Nordeste continua sendo o principal sustentáculo de Lula, com maioria expressiva de aprovação. Em contraste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste/Norte apresentam predominância da desaprovação. O mapa político resultante reforça um padrão já conhecido, mas que ganha peso à medida que o calendário eleitoral se aproxima: fora do Nordeste, o presidente governa em terreno adverso.
Quando o olhar se volta para renda e escolaridade, o sinal de alerta se intensifica. Entre beneficiários do Bolsa Família e eleitores de menor renda, a avaliação do governo é majoritariamente positiva. Já entre os que ganham acima de cinco salários mínimos e possuem ensino superior, a desaprovação é dominante. Esse distanciamento de setores médios e mais escolarizados cobra um preço alto na arena pública, onde esses grupos exercem influência desproporcional no debate político.
A avaliação qualitativa do governo reforça esse diagnóstico. A parcela que considera a gestão “negativa” supera a que a classifica como “positiva”, enquanto o grupo que avalia como “regular” permanece numeroso. Esse dado revela um país menos movido por paixões absolutas e mais marcado por frustração e ceticismo. É nesse eleitorado intermediário que reside o principal desafio político do Planalto.
No campo eleitoral, os cenários testados pela pesquisa mostram Lula competitivo, mas longe de uma posição confortável. A rejeição elevada funciona como limite para o crescimento do presidente, sobretudo em simulações de segundo turno. Ao mesmo tempo, a oposição ainda aparece fragmentada, incapaz de converter o desgaste do governo em hegemonia eleitoral imediata Genial Quaest – 14.01 – Pesquis….
A economia surge como elemento central para entender esse quadro. A maioria dos entrevistados relata aumento no preço dos alimentos, perda de poder de compra e maior dificuldade para conseguir emprego. Esses fatores pesam mais na avaliação cotidiana do governo do que anúncios macroeconômicos ou disputas retóricas em Brasília. No bolso, o discurso perde força.
A pesquisa Genial/Quaest, portanto, desenha um presidente que ainda governa com apoio relevante, mas sob vigilância crítica de grande parte da sociedade. Lula não está isolado, mas tampouco está confortável. O desafio que se impõe não é apenas eleitoral, mas político: reconectar expectativas, entregar resultados percebidos no dia a dia e reduzir um desgaste que, se mantido, tende a transformar 2026 em um teste mais duro do que o Planalto gostaria de enfrentar.





