“IPTU na zona rural é ilegal”, diz Gustinho Ribeiro ao anunciar projeto contra cobrança

O deputado federal Gustinho Ribeiro (Republicanos-SE) anunciou que vai apresentar um projeto de lei no Congresso Nacional para proibir, em todo o país, a cobrança de IPTU em áreas rurais. A iniciativa foi motivada, segundo ele, pela decisão da Prefeitura de Lagarto de cobrar o imposto em povoados do município, prática que classificou como ilegal e injusta.

Durante entrevista, Gustinho afirmou que a medida adotada em sua cidade natal provocou forte reação da população do campo. “O município de Lagarto passou a cobrar IPTU na zona rural. Isso é algo inédito e, mais do que isso, é proibido. O próprio nome já diz: imposto predial e territorial urbano”, disse.

O parlamentar argumenta que não há base legal nem estrutural que justifique a cobrança. “Não é justo que quem vive da roça, quem tira o sustento da pequena propriedade, receba mais um boleto no fim do mês sem ter sequer serviços públicos que sustentem esse imposto”, afirmou. Segundo ele, a indignação foi percebida nas conversas diretas com moradores da zona rural. “Isso me chamou a atenção e me fez decidir de que lado eu estaria. Decidi ficar do lado do povo.”

Gustinho informou que o texto do projeto já está sendo preparado e será protocolado assim que ele retomar os trabalhos em Brasília. “Já pedi à minha assessoria que redigisse o projeto. A ideia é proibir de uma vez por todas a cobrança de IPTU na zona rural, com abrangência nacional”, afirmou. Para o deputado, a proposta nasce de um contexto de pressão econômica sobre famílias do campo. “É uma cobrança totalmente injusta, inspirada no sofrimento de quem está sentindo o arrocho dos impostos.”

Sucessão estadual e cenário eleitoral

Na mesma entrevista, Gustinho Ribeiro confirmou que a ex-prefeita de Lagarto, Hilda Ribeiro, é pré-candidata a deputada estadual. “Foi uma decisão interna do nosso grupo. Há a necessidade de manter Lagarto representada na Assembleia Legislativa”, disse, destacando que o grupo também articula alianças em outras regiões do Estado.

Ao analisar a eleição municipal passada, o deputado atribuiu o resultado a fatores que, segundo ele, fugiram ao controle da campanha. Entre eles, a morte do ex-prefeito Valmir Monteiro no início do processo eleitoral. “Infelizmente, essa morte foi usada como palanque. Criaram uma narrativa emocional que confundiu a população. Quando se entra nesse campo, é muito difícil competir do ponto de vista técnico”, afirmou.

Gustinho também avaliou que a experiência do adversário pesou no resultado. “Tínhamos uma candidata jovem, em sua primeira disputa, enfrentando um político mais experiente. Houve promessas irreais e hoje vemos uma frustração grande, inclusive entre quem acreditou”, disse.

Questionado sobre o apoio do grupo Monteiro a outros nomes na disputa ao Senado, e não ao ex-deputado André Moura, Gustinho foi direto. “Acredito que sim, foi uma traição ao legado. Nos momentos mais difíceis, quem esteve ao lado do grupo foi André Moura. Mas deixo que a população julgue isso nas urnas”, afirmou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *