Vereador Lúcio Flávio deixa comando do PL em Aracaju; Moana Valadares diz não compreender “as verdadeiras razões”

“Eu recebi essa notícia com muito pesar, surpresa e confesso que até o momento não compreendi as verdadeiras razões e os verdadeiros motivos.” A frase é da vereadora Moana Valadares, presidente estadual do Partido Liberal em Sergipe, ao reagir, da tribuna da Câmara Municipal de Aracaju, à renúncia do colega de partido Lúcio Flávio à presidência do Diretório Municipal do PL na capital — anunciada na sessão do dia anterior.

Em pronunciamento na tribuna, o próprio Lúcio Flávio agradeceu à presidente estadual e ao deputado federal Rodrigo Valadares pela confiança depositada durante o período em que esteve à frente do partido na capital. “Estou anunciando minha renúncia à presidência do PL de Aracaju e queria agradecer pela confiança”, declarou.

Após o anúncio, o parlamentar divulgou uma nota de esclarecimento nas redes sociais, afirmando que a decisão foi tomada de forma pacífica e sem conflitos internos, motivada pelo desconforto de ocupar posições de liderança em dois grupos políticos distintos, especialmente diante do cenário eleitoral. A lógica da saída é simples, mas politicamente reveladora. O vereador explicou que não considerava adequado exercer, ao mesmo tempo, a função de vice-líder da prefeita Emília Corrêa na Câmara e a presidência do PL de Aracaju, ligado ao grupo político liderado por Rodrigo Valadares.

A resposta da tribuna

Moana rebateu diretamente a justificativa apresentada pelo colega. Segundo ela, jamais foi imposta ao vereador qualquer exigência de ruptura com a gestão Emília Corrêa. “Eu, enquanto presidente do PL Sergipe, nunca exigi do vereador que ele rompesse com a prefeita Emília, que ele entregasse os seus cargos, os seus espaços na gestão, muito menos que deixasse de ser o vice-líder dela nessa Casa”, afirmou.

A parlamentar, que diz ter sido designada para o posto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, lembrou ainda que a coexistência de grupos distintos dentro do mesmo partido não é exceção na política brasileira: “Como em outros partidos, existem parlamentares aqui que estão na base e outros que estão na oposição, sendo do mesmo partido.”

Por fim, encerrou com um agradecimento protocolar que soou mais como ponto final do que despedida calorosa: “Da mesma forma que ele subiu a tribuna ontem para anunciar a saída, eu também subo essa tribuna hoje de maneira muito respeitosa para agradecer a ele pelo tempo que passou à frente do nosso diretório e para dizer que o PL segue firme no foco de sempre.”

O grupo Valadares perde fôlego

Por trás da liturgia dos agradecimentos mútuos, o episódio sinaliza algo mais grave para o campo do deputado federal Rodrigo Valadares: o enfraquecimento progressivo de sua base política em Aracaju às vésperas de um ciclo eleitoral decisivo.

Perder o controle do maior diretório municipal do PL na capital sergipana não é um movimento neutro. Lúcio Flávio era um nome de visibilidade local, com mandato na Câmara e inserção no cotidiano da gestão municipal. Sua saída sem que o grupo conseguisse encontrar uma fórmula que o mantivesse no posto revela dificuldade real de costurar alianças num ambiente político que só se fragmenta.

O próprio diretório, em nota, buscou minimizar o impacto ao afirmar que “a condução do partido na capital segue de forma contínua e sem interrupções”, com foco no “planejamento estratégico para o pleito de 2026”. É a linguagem de quem precisa convencer, a si mesmo e aos aliados, de que nada abalou a estrutura.

Apesar da renúncia ao comando do diretório municipal, Lúcio Flávio ressaltou que permanece filiado ao partido e alinhado às pautas defendidas pela legenda. Mas filiação, como se sabe na política, não é o mesmo que lealdade operacional. E é exatamente esse tipo de distância cordial, silenciosa e calculada que costuma definir para onde sopra o vento antes de cada disputa eleitoral.

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