Yandra Moura analisa representatividade feminina no Congresso em entrevista à Rádio Cultura

A deputada federal Yandra Moura (União-SE) concedeu entrevista ao programa Cultura Notícias, da Rádio Cultura FM de Aracaju, na manhã da última quarta-feira, 29, apresentado pelo radialista Jairo Alves. Durante a conversa, a parlamentar tratou de temas como saúde, educação e investimentos em Sergipe, mas reservou parte significativa da entrevista para discutir a participação das mulheres na política brasileira.

Yandra lembrou que, há poucos anos, era incomum uma mulher se colocar como candidata a cargos públicos. “Fico muito feliz a gente olhar para trás e saber que há muitos anos atrás a mulher se sentia muito acuada ainda em dizer: não, eu vou pleitear um cargo público, eu quero exercer minha cidadania de forma não somente com o meu voto, mas podendo também ser votada”, afirmou a deputada, ao definir o direito de votar e de ser votada como os dois pilares da cidadania democrática.

A parlamentar reconheceu que, apesar dos avanços, a presença feminina no Congresso Nacional ainda é pequena. Segundo dados oficiais da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, a atual legislatura reúne 91 deputadas entre os 513 parlamentares, o maior número da história da Casa, mas ainda equivalente a apenas 17,7% do total de vagas. No Senado Federal, a representatividade é ainda mais restrita: são hoje 15 senadoras entre os 81 parlamentares, também um recorde histórico, mas correspondente a pouco mais de 18% da Casa. “É muito tímido ainda”, disse Yandra, ao comentar os números durante a entrevista.

Para a deputada, cada avanço da mulher na política, mesmo que gradual, deve ser reconhecido como conquista coletiva. “A gente comemora cada pequena conquista, porque cada avanço da mulher na política é um grande avanço, porque realmente a gente encontra muitos entraves ainda de falta de acolhimento”, declarou. Yandra também citou a estrutura do União Brasil como exemplo de organização partidária que busca dar espaço a candidaturas femininas, embora tenha reconhecido que dificuldades persistem em diferentes legendas.

No estado, a parlamentar avaliou que Sergipe historicamente demorou a eleger mulheres para a Câmara Federal. “A gente falava do absurdo que era Sergipe nunca ter elegido, nunca ter eleito uma mulher deputada federal. A gente fica muito feliz que entraram logo duas nesse primeiro momento”, afirmou. Segundo Yandra, essa abertura precisa ser ampliada com a chegada de mais mulheres qualificadas aos espaços de decisão. A deputada também mencionou a participação crescente de moradoras na Assembleia Legislativa e citou o aumento de prefeitas eleitas em Sergipe no último pleito municipal como sinal de avanço.

Além do debate sobre representatividade, Yandra Moura relembrou sua trajetória na Câmara Federal, onde se tornou a primeira mulher da história de Sergipe eleita como deputada federal mais votada. “Eu não ocupei só, eu levei a força da mulher sergipana, eu levei os homens e as mulheres que acreditaram nessa jovem parlamentar”, declarou. A parlamentar destacou funções que já ocupou na Casa, entre elas a coordenação do Observatório Nacional da Mulher na Política e a vice-liderança do União Brasil, maior bloco da Câmara dos Deputados.

A deputada também comentou o trabalho legislativo voltado à proteção de crianças e adolescentes contra abuso e exploração sexual, tema que classificou como prioritário em seu mandato. Segundo Yandra, ela foi relatora de projeto que trata da manipulação de imagens por meio de inteligência artificial, além de ser autora de proposta que estabelece punições civis e penais para conteúdos que promovam a erotização de menores em plataformas digitais e audiovisuais.

Questionada sobre investimentos federais destinados a Sergipe por meio de emendas parlamentares, a deputada afirmou que a saúde tem sido a área prioritária de sua atuação, com recursos direcionados a hospitais filantrópicos de Aracaju ao longo do mandato. A parlamentar disse ainda que demandas de infraestrutura e educação recebidas junto a prefeitos e moradores dos municípios sergipanos também têm sido atendidas conforme a disponibilidade de recursos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *