
Por trás do silêncio aparente da oposição em Sergipe, uma imagem vazada nesta sexta-feira (30) escancarou não a desorganização, mas sim os movimentos firmes de um grupo político que começa a se consolidar para 2026 e que tem como principal protagonista a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL).
Até pouco tempo antes da eleição municipal de 2024, poucos apostavam na capacidade de Emília em formar um grupo sólido. Diziam que ela não tinha base, não tinha articulação, não tinha estrutura. O resultado? Uma vitória significativa, contra todos os outros juntos, fruto de um grupo que ela montou do zero, com estratégia, discrição e confiança mútua. Agora, os sinais de que essa força pode se expandir para o interior e para o comando do Estado são cada vez mais claros.
A imagem vazada mostra Hugo Esoj, atual presidente da Emsurb e articulador político de confiança da prefeita, ao lado do deputado federal Tiago de Joaldo (PP), num encontro de construção política. Em pauta, um esboço de chapa majoritária para 2026, com Tiago de Joaldo como possível nome para o governo do Estado. Ao lado dele, outros nomes de peso. Adailton, indicado por Valmir de Francisquinho, a maior liderança do agreste e nome respeitado em todo o estado, para a vice; Rodrigo Valadares, Capitão Samuel, e Eduardo Amorim (PL) como possíveis nomes ao Senado.
Se confirmada, a chapa uniria diferentes vertentes da direita e do centro político sergipano em um bloco competitivo e com densidade eleitoral. Valmir de Francisquinho, por exemplo, mantém índices de aprovação altíssimos no interior. Rodrigo Valadares tem presença digital forte e sólida base no eleitorado conservador. Eduardo Amorim é figura experiente e bem avaliada, e Capitão Samuel carrega consigo a bandeira da segurança pública. Ao centro da engrenagem, Emília Corrêa, a prefeita que venceu o sistema e continua articulando, nos bastidores, com a mesma discrição que a levou à Prefeitura da capital.
A movimentação é vista com atenção por analistas políticos. Até então, aliados do governador Fábio Mitidieri (PSD) vinham ventilando a possibilidade de uma reeleição tranquila, até mesmo por W.O. Mas a possível formação dessa frente de oposição acende um alerta no Palácio dos Despachos.
Tiago de Joaldo, inclusive, já vem se descolando do governo. Em entrevista recente à rádio Itabaianinha FM, não poupou críticas à gestão estadual da saúde. “Se você não tiver amizade no Estado e estiver precisando da saúde, você morre. É a indústria da morte em favor da classe política”, afirmou, em tom contundente.
A imagem vazada não revela desarticulação, como tentaram alguns setores interpretar. Ao contrário: mostra que, mais uma vez, o grupo liderado por Emília Corrêa trabalha com antecedência, articula nos bastidores e constrói uma aliança com lastro eleitoral. Em 2024, poucos acreditavam. Em 2026, será que a história vai se repetir, desta vez em escala estadual?





