
A indicação do vereador Ricardo Vasconcelos (PSD) como primeiro suplente de André Moura (União) na disputa pelo Senado pode ser vista, num primeiro olhar, como uma jogada estratégica inteligente, e que já nasce com o aval do governador Fábio Mitidieri (PSD). Afinal, Ricardo é filiado ao PSD, partido do governador, e dificilmente aceitaria compor a chapa sem a anuência do próprio Fábio, que já afirmou publicamente. “André será o meu senador”.
Ao escolher Vasconcelos, André Moura sinaliza que aprendeu com a história. Sua performance nas urnas em Aracaju tem sido, tradicionalmente, um ponto frágil. Em 2018, seu desempenho na capital ficou aquém do esperado, pouco mais de 30 mil votos ou 6,22%. Mesmo em 2022, quando Yandra Moura (União) conquistou uma votação expressiva e foi a deputada federal mais votada do estado, Aracaju novamente representou uma dificuldade: lá, Yandra terminou apenas na 7 colocação, com um pouco mais de 13 mil votos ou 4,52% dos votos. E mesmo com o crescimento da jovem liderança em 2024, quando concorreu à prefeitura da capital e se consolidou como uma força política emergente, ainda assim ficou em terceiro lugar, atrás da então vereadora Emília Corrêa (PL) (hoje prefeita eleita) e do candidato apoiado por Edvaldo Nogueira (PDT).
Nesse cenário, trazer Ricardo Vasconcelos para a suplência parece ser mais do que uma escolha simbólica: é uma tentativa clara de romper a resistência eleitoral de André Moura em Aracaju. E Ricardo chega com capital político de sobra.

No seu primeiro mandato como vereador, conseguiu o feito de ser eleito presidente da Câmara Municipal de Aracaju. Foi reeleito para o cargo no início do segundo mandato, quando também protagonizou um marco: foi o segundo vereador mais votado da história da capital, com mais de 11 mil votos, ficando atrás apenas da histórica votação de Jackson Barreto em 1988.
Além disso, Ricardo tem mostrado habilidade política e firmeza institucional. Apesar de ser aliado da prefeita Emília Corrêa, mantém postura de independência, cobrando medidas e se posicionando quando necessário. Ganhou destaque ao reagir com firmeza no caso das falas machistas do ex-porta-voz da Prefeitura contra a deputada Yandra Moura, o que reforçou seu discurso e imagem de líder.
Com boa articulação entre seus pares, liderança no legislativo e capacidade de diálogo, Ricardo representa um ativo real para uma candidatura majoritária. Ele pode ajudar André Moura a ultrapassar o histórico calcanhar de Aquiles em Aracaju e, ao mesmo tempo, manter o elo com o núcleo duro do governo Mitidieri.
Se a política é a arte de compor forças e antecipar cenários, a aliança entre André e Ricardo tem cheiro de pragmatismo, mas também de cálculo estratégico com potencial de impacto nas urnas. O tempo dirá se foi a aposta certa. Mas que faz sentido, faz.





