Emília acende a fogueira, Valmir solta o buscapé e Mitidieri sente o calor

Foto: Assessoria

Até outro dia, o cenário político de Sergipe parecia calmo demais. Fábio Mitidieri (PSD) navegava tranquilo, amparado por uma ampla base na Assembleia Legislativa, o apoio de 21 dos 26 vereadores da Câmara de Aracaju, além de alianças com nomes de peso como André Moura (União), Edvaldo Nogueira (PDT), Alessandro Vieira (MDB) e a grande maioria dos prefeitos do interior. Era como um São João bem ensaiado: bandeirolas no lugar, fogueira sob controle e sanfona afinada.

Mas bastou junho chegar, com sua tradição de fogueiras e surpresas, para a política esquentar de verdade.

Emília Corrêa (PL) acendeu a chama. Valmir de Francisquinho (PL) soltou o primeiro buscapé. E a faísca que faltava para incendiar o cenário político atendeu pelo nome de Thiago de Joaldo (PP).

O céu ficou claro, literalmente e politicamente, após uma reunião entre o deputado e o articulador político da prefeita, Hugo Esoj. Ali, num encontro silencioso e estratégico, foi solta primeira bomba do São João. Dias depois, os fogos apareceram: Emília, ao lado do ex-senador Eduardo Amorim (PSDB), publicou um vídeo nas redes sociais recebendo de braços abertos a adesão de Thiago à oposição. E não foi só um gesto simbólico, ele chegou com status de pré-candidato ao governo de Sergipe.

O barulho foi tanto que ecoou no Palácio dos Despachos. E Mitidieri, ainda que tentando manter o semblante sereno, acusou o golpe, e passou recibo. Em entrevista à imprensa, disse ter se sentido traído por ter ajudado na governabilidade de Emília, emprestando sua base de apoio na Câmara Municipal. Foi como quem diz: “Ajudei a montar o arraial e me deixaram do lado de fora da quadrilha”.

A partir dali, até o clima pareceu entrar na dança. Ventos fortíssimos atingiram o Arraiá do Povo, festa junina promovida pelo Governo do Estado. O evento foi suspenso. As bandeiras voaram, os palcos balançaram, e o forró parou. Teve quem brincasse nas redes: “O vento levou a paz de Mitidieri… e trouxe o sinal de que a oposição botou fogo no terreiro.”

Enquanto isso, o Forró Caju, organizado pela Prefeitura de Aracaju, corre solto, animado e sem interrupções. Em Itabaiana, reduto de Valmir, a festa dos caminhoneiros também foi um sucesso absoluto, com povo nas ruas, fogueira no asfalto e clima de esperança para a oposição.

Fábio Mitidieri não se dá por vencido. Segue com estrutura, aliados e apoio expressivo no interior. Mas sabe que o tempo fechou. A oposição mostrou que está viva, articulada e com disposição para tocar zabumba, emprestado de Edvaldo, até outubro de 2026.

Emília tem demonstrado popularidade. Valmir tem estrada e grito de muita gente entalado na garganta. E Thiago de Joaldo surge como a peça que une discurso, energia e a capacidade de romper cercas, até mesmo dentro do próprio campo governista, Edvan Amorim afirmou que há mais gente de malas prontas para saltar da marinete de Fábio.

O certo é que Sergipe se prepara para viver um São João político diferente. Vai ter fogueira alta, rojão cruzando o céu, traição no ar e muita pólvora espalhada pelos quatro cantos do estado.

E que ninguém se engane: a guerra de rojões já começou.

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