
Quatro meses como suplente em 2024 deram a Capitão Samuel (União) a primeira passagem pela Câmara dos Deputados. A partir de 1º de fevereiro de 2027, o policial militar volta a Brasília com mandato próprio, conquistado com 66.342 votos, a sétima maior votação para deputado federal em Sergipe em 4 de outubro.
Nascido em Malhador em 3 de fevereiro de 1970, Samuel Alves Barreto é capitão da Polícia Militar de Sergipe e advogado. A biografia que mantém nas redes acrescenta pós-graduação em segurança e atuação como radialista. Ele é um dos dois nomes que renovam a bancada sergipana na Câmara, ao lado de Claudio Mitidieri (PSB).
A trajetória política começou no associativismo militar. Em 2005, o capitão liderou a criação da Associação Unidas, que reuniu as nove associações militares de Sergipe em uma mobilização da categoria. Em março de 2010, deixou a presidência da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros para disputar a eleição.
A primeira tentativa, em 2006, pelo PDT, não resultou em mandato. Em 2010, pelo PSL, foi o segundo deputado estadual mais votado de Sergipe, com 43.370 votos, atrás apenas de Adelson Barreto. Segundo a biografia oficial, tornou-se o primeiro policial militar a ocupar uma cadeira no Legislativo estadual.
Vieram mais dois mandatos. Em 2014, reelegeu-se com 23.984 votos; em 2018, pelo PSC, com 15.770. Na Assembleia Legislativa, a atuação se concentrou na defesa das categorias da segurança pública: polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e agentes penitenciários.
Batalhão da Restauração
Fora do plenário, o projeto que mais associa o nome do capitão ao eleitor é o Batalhão da Restauração, comunidade terapêutica gratuita para dependentes químicos inaugurada em dezembro de 2017. Instalado em São Cristóvão, o centro oferece tratamento de seis meses, com acompanhamento psicológico, médico e espiritual.
Comunidade terapêutica é uma modalidade de acolhimento residencial, de adesão voluntária e sem regime hospitalar, em que o dependente vive no local durante o tratamento. No Batalhão, só entram pessoas que procuram ajuda por conta própria, e a duração varia de seis meses a um ano, conforme o plano de cada residente.

A ideia surgiu da experiência policial. Em entrevista à TV Atalaia, Samuel afirmou que o trabalho da polícia não resolve sozinho o problema das drogas, porque a prisão de um traficante apenas encarece o produto, e explicou a origem do projeto: “Isso me motivou a pensar numa ação mais eficaz”.
Em discurso na Alese, ele definiu a dependência química como um tema que “está acabando com a família brasileira”. Ao relacionar o tratamento à segurança, disse que, ao devolver um dependente recuperado à sociedade, “reduzimos diretamente os fatores que alimentam a criminalidade”.
O projeto se ampliou para um instituto. Hoje inclui grupo de busca ativa, apoio a homens e mulheres em comunidades terapêuticas e a Casa do Autista, com terapias como a equoterapia.
Fundação Renascer e Câmara
Em 2023, o governador Fábio Mitidieri nomeou Samuel presidente da Fundação Renascer, órgão estadual responsável pela ressocialização de adolescentes em conflito com a lei.
No ano seguinte, assumiu como suplente o mandato de deputado federal pelo PP, de 18 de junho a 13 de outubro de 2024. No período, foi titular da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e integrou a Bancada Negra da Câmara.
Rumo a 2027
Filiado ao União Brasil desde 2025, o capitão disputou a eleição sem mandato. Em junho, resumiu a fase: “Estou sem mandato, mas continuo”, ao dizer que seguia atuando na área social em todo o estado. A frase “a luta continua”, usada como lema, acompanha a apresentação dele nas redes, onde soma 107 mil seguidores.
Pelo histórico na Alese e na passagem pela Câmara, a atuação em Brasília deve se concentrar em segurança pública, política sobre drogas e assistência social, as três áreas em que construiu a carreira.





