
O cenário político de Sergipe para as eleições de 2026 ganhou um novo e significativo capítulo nesta quarta-feira, 19, com a movimentação do ex-prefeito de Itabaiana, Adailton Sousa. Aliado de primeira ordem do prefeito Valmir de Francisquinho, Adailton comunicou sua desfiliação do Partido Liberal (PL) e sua imediata filiação ao PODEMOS, se lançando como pré-candidato a uma das duas vagas em disputa no Senado Federal.
A decisão, anunciada pelo próprio político em nota, revela um racha interno na base bolsonarista do estado e expõe as dificuldades de acomodação de nomes fortes em um pleito majoritário.
“É com muita alegria que comunico a todos a minha filiação ao PODEMOS, ao tempo em que agradeço imensamente ao PL, na pessoa do presidente Valdemar da Costa Neto, pelo período em que estive no partido pelo qual fui prefeito de Itabaiana. Pretendo disputar a próxima eleição; em breve, estarei lançando minha pré-candidatura ao Senado Federal. O PL tinha a orientação de permitir que apenas um filiado, em Sergipe, disputasse as duas vagas. No PODEMOS, por meio da presidente Renata Abreu, encontrei a garantia necessária para iniciar minha luta pelos sergipanos.”
A justificativa de Adailton Sousa aponta diretamente para a cúpula do PL, presidida nacionalmente por Valdemar da Costa Neto. Segundo o ex-prefeito, a orientação do partido era limitar a disputa a apenas um nome em Sergipe, o que, de acordo com informações de bastidores, seria o do ex-deputado federal Rodrigo Valadares que inda está filiado ao (União Brasil). Ao migrar para o PODEMOS, Adailton assegura o espaço para sua postulação, contando com o aval da presidente nacional da legenda, a deputada federal Renata Abreu.
A pré-candidatura de Adailton Sousa não pode ser analisada isoladamente. Ela carrega o peso político de seu principal padrinho, Valmir de Francisquinho, uma das figuras mais populares e com maior capital eleitoral no interior de Sergipe. Valmir, que já foi prefeito de Itabaiana por três mandatos e teve sua candidatura ao governo barrada pela Justiça Eleitoral em 2022, é um nome que, mesmo fora do pleito, movimenta o tabuleiro político.
A saída de Adailton Sousa do PL, motivada pela restrição de candidaturas, é um sinal claro do enfraquecimento da articulação de Rodrigo Valadares dentro do partido e no campo da direita sergipana. Rodrigo Valadares, que teria sido o nome priorizado pela direção nacional, perde um aliado de peso e vê o grupo de Valmir de Francisquinho se realinhar em outra legenda.
Novas movimentações são esperadas nos próximos meses, com a definição de alianças e a possibilidade de mais trocas partidárias. A filiação de Adailton Sousa ao PODEMOS, portanto, é mais do que uma simples troca partidária; é um movimento estratégico que garante sua presença na cédula eleitoral e adiciona uma dose extra de imprevisibilidade e competitividade à corrida pelo Senado em Sergipe.





