
O governador Fábio Mitidieri (PSD) se vê diante de uma escolha delicada que pode definir os rumos de seu grupo político até as eleições de 2026. Entre dois potenciais candidatos ao Senado que não demonstram disposição para dividir o mesmo palanque, o desafio agora é encontrar uma saída que preserve a unidade da base sem comprometer o capital político acumulado.
De um lado está o senador Alessandro Vieira (MDB), que não esconde sua resistência em compor com André Moura (União). Na última sexta-feira, durante entrevista à Fan FM, foi direto ao afirmar que “não vota e não sobe no palanque com André Moura.” A fala foi interpretada como um recado claro ao núcleo do governo. Do outro, André respondeu, na mesma emissora, que “fica difícil construir uma chapa com alguém que ataca o tempo inteiro.” Mais do que uma troca de declarações, os dois colocaram a pressão sobre o próprio governador, que até agora tem evitado se posicionar de forma definitiva.
Enquanto os discursos chamam a atenção, os bastidores seguem movimentados. Alessandro mantém apoio de setores do governo, especialmente em faixas do eleitorado que valorizam sua atuação independente. Já André Moura tem investido em articulações para fortalecer o grupo, ampliando sua rede de aliados e contribuindo diretamente para reforçar a estrutura política do governador. Foi dele, por exemplo, a costura que levou o prefeito eleito de São Cristóvão, Júlio Júnior, para o União Brasil. Também participou da reaproximação com o ex-prefeito Marcos Santana e com o deputado estadual Paulo Júnior, que até pouco tempo estava na oposição. As movimentações têm sido vistas como sinais de que André ainda aposta na permanência dentro do projeto governista, apesar das tensões.
Um secretário de Estado, em caráter reservado, admitiu que “André tem volume político e entrega força de grupo”, enquanto, por outro lado, um deputado estadual observou que “Alessandro cresce com apoio de aliados do governo”. O contraste de perfis é evidente, e talvez seja aí que resida a raiz da dificuldade em conciliá-los.
A preocupação aumenta diante do histórico recente. Em 2024, Mitidieri enfrentou a fragmentação da base na disputa pela Prefeitura de Aracaju, permitindo que três candidaturas ligadas ao seu grupo avançassem. O resultado foi a vitória da oposição, com Emília Corrêa (PL), num sinal claro de que a divisão interna pode custar caro.
Agora, os mesmos sinais voltam a se repetir. Nos bastidores, há quem tema que, caso não se sinta valorizado, André Moura possa ser atraído por outro projeto. Valmir de Francisquinho, prefeito de Itabaiana, chegou a afirmar que seu vice poderá assumir a prefeitura, o que foi interpretado como um gesto de pré-candidatura ao governo estadual. A leitura é de que, fora do grupo governista, também existe espaço de protagonismo, o que aumenta ainda mais a pressão sobre Mitidieri.
Neste cenário, tentar manter os dois no mesmo palanque parece, para muitos, uma equação difícil de resolver. Mas adiar a decisão pode ser ainda mais arriscado. O silêncio, antes visto como prudência, começa a ser percebido como hesitação.
O governador terá que escolher não apenas nomes, mas um caminho claro para 2026. E, para isso, precisará assumir riscos e lidar com os custos políticos de qualquer que seja sua decisão.





