
A presença do deputado federal Gustinho Ribeiro (Republicanos) ao lado do secretário de Defesa Social de Aracaju, André Davi (também Republicanos), durante o anúncio de uma emenda para a Guarda Municipal da capital, foi vendida como uma ação de parceria e fortalecimento da segurança pública. Mas, nos bastidores, a leitura é outra: a movimentação escancara a fragilidade política de Gustinho e a ascensão silenciosa de André Davi.
O Republicanos, sigla comandada por Gustinho em Sergipe, não tem mostrado força no cenário local. Em Aracaju, nas últimas eleições municipais, o partido sequer conseguiu eleger um vereador, um marco negativo inédito. E a fragilidade não se limita à capital: em Salgado, seu cunhado tentou voltar ao comando da prefeitura e fracassou; já em Lagarto, sua sobrinha tentou dar continuidade à gestão da esposa e também não obteve sucesso.
Esse histórico expõe a necessidade de uma guinada, e é aí que entra a “collab” com André Davi. Primeiro suplente de deputado federal em 2022, o delegado tem ganhado espaço e respeito. Sua atuação à frente da Secretaria de Defesa Social é elogiada inclusive por setores fora do núcleo político da Prefeitura. Segundo fontes ligadas à prefeita Emília Corrêa (PL), André Davi figura entre os nomes prioritários do grupo para o futuro, sendo visto como um quadro técnico e político em plena ascensão.
A aproximação de Gustinho com André Davi, nesse contexto, tem tom de tentativa de sobrevivência. Depois de acumular derrotas em diferentes frentes, o deputado vê seu capital político enfraquecer. Em contrapartida, o delegado ampliou sua base, fortaleceu sua imagem administrativa e ainda carrega o sentimento de “injustiça” de parte de seu eleitorado, que acredita que ele poderia estar no Congresso se o partido tivesse priorizado seu nome.
Nos bastidores, há quem enxergue uma tensão silenciosa. Se o Republicanos mantiver a atual configuração, com Gustinho, André Davi, Pastor Heleno e um nome da Igreja Universal dividindo palanque e votos, o desfecho pode surpreender. Com a fragilidade de Gustinho e o crescimento de Davi, o primeiro suplente de 2022 pode virar protagonista em 2026.
A dúvida que fica é: Gustinho ainda lidera de fato o Republicanos em Sergipe, ou apenas segura o posto enquanto novas forças ganham fôlego dentro do próprio partido? O tempo e as urnas responderão.





