
Depois de mais de duas décadas de promessas, idas e vindas, o Hospital do Câncer de Sergipe, localizado no bairro Capucho, em Aracaju, finalmente tem data para ser entregue, início de setembro deste ano, segundo informações do próprio Governo do Estado.
Sergipe, o menor estado da federação, sempre sofreu com a ausência de uma estrutura própria e completa para tratar o câncer. Muitos pacientes enfrentam rotinas de deslocamento para outros estados, longas filas de espera e falta de acesso a exames e terapias essenciais.
Mas a inauguração, por mais positiva que seja, carrega um peso: o da demora. O atraso de mais de 20 anos na entrega dessa obra é uma ferida aberta na história da saúde pública sergipana. Quantas vidas foram perdidas nesse intervalo por falta de diagnóstico precoce ou de tratamento adequado? Quantas famílias viram seus entes queridos padecerem sem o mínimo de suporte médico que agora será, enfim, disponibilizado?
O novo hospital é uma conquista tardia. E, mesmo antes de abrir as portas, já nos obriga a refletir: por que um equipamento tão essencial levou tanto tempo para sair do papel? Falta de prioridade? Disputas políticas? Inércia da gestão pública?
Que a inauguração seja apenas o começo de um novo capítulo. Que não faltem profissionais, medicamentos, nem estrutura. Que o Hospital do Câncer funcione com dignidade e eficácia. E, principalmente, que não se repita o erro de deixar a saúde para depois, porque, quando se trata de vidas humanas, o atraso é sempre irreparável.
Imagem: Agência Brasil





