PL em SE mergulha na incerteza: Rodrigo assume enquanto Bolsonaro enfrenta julgamento

O Partido Liberal (PL) atravessa uma turbulência em Sergipe no momento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar há um mês, se aproxima de um julgamento decisivo no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. A possibilidade de condenação a uma pena em regime fechado amplia a incerteza sobre o futuro da legenda no estado, já pressionada por disputas internas.

Nos bastidores de Brasília, a informação é de que o comando do PL em Sergipe já estaria sob a influência do deputado federal Rodrigo Valadares (União), que deve indicar a esposa, a vereadora por Aracaju Moana Valadares, para a presidência estadual. A mudança encerra a gestão de Edvan Amorim, que conduziu o partido por anos, mas está saindo em meio a atritos com Rodrigo.

A transição, no entanto, abriu um racha. O prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, ameaça deixar a sigla. “Nós vamos migrar para outro partido. Se for continuar do jeito que está não ficaremos. Acho que Bolsonaro cometeu um erro. Vejo um desrespeito muito grande conosco. Não fui consultado”, afirmou.

A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, busca reduzir as tensões e defende diálogo, mas pelos sinais ela deverá seguir os principais nomes caso a debandada se confirme. Outro quadro de relevância, o ex-senador e ex-deputado federal Eduardo Amorim, que iria se filiar ao PL, não o deve fazer mais diante da nova condução da sigla.

A preocupação se explica pelo peso que o partido ganhou em Sergipe nos últimos anos, impulsionado pelo bolsonarismo e pela articulação de Edvan Amorim. O PL se tornou um dos principais polos da oposição, mas pode perder força sem a liderança de Bolsonaro e diante da insatisfação de suas principais figuras locais.

O julgamento no STF, previsto para esta semana, é considerado histórico e pode resultar na condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe. Caso seja preso em regime fechado, a ausência do ex-presidente no cenário político nacional fragiliza ainda mais seus aliados. Em Sergipe e nos demais estados, a consequência direta é a perda de referência eleitoral que sustentou a legenda desde 2018.

“Se os principais nomes do PL deixarem a legenda, Rodrigo Valadares terá que conduzir praticamente sozinho um partido que sempre foi pilar da oposição no estado”, avaliou um analista ouvido pela reportagem.

Aliados de Rodrigo, por outro lado, afirmam que o deputado tem respaldo suficiente em Brasília para consolidar sua liderança no comando estadual. O desafio será manter a unidade e reorganizar a sigla em meio a uma conjuntura de incertezas jurídicas e políticas.

O futuro do PL em Sergipe é incerto já que a recomendação do partido a Rodrigo não foi unanimidade. A questão central é se o partido conseguirá manter relevância sem seu líder nacional ativo e sem os nomes que lhe deram força nas últimas eleições.

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