Ricardo Vasconcelos está sendo preparado para enfrentar Emília Corrêa em 2028?

A eleição municipal de 2024 consolidou o nome de Ricardo Vasconcelos (PSD) como um dos políticos mais populares da capital sergipana. Com 11.120 votos, o vereador e atual presidente da Câmara de Aracaju se tornou o segundo mais votado da história da capital, atrás apenas de Jackson Barreto, que em 1988 ultrapassou a marca dos 23 mil votos.

Mas o que chama atenção não é apenas o número expressivo de votos, e sim a movimentação política que veio em seguida. Ao invés de mirar uma candidatura à Assembleia Legislativa ou à Câmara dos Deputados, caminhos naturais para quem alcança tamanha votação, Ricardo optou por um passo mais discreto e, ao mesmo tempo, estrategicamente calculado, será o primeiro suplente ao Senado na chapa do ex-deputado federal André Moura (União), que já está na estrada para disputar uma cadeira no Senado em 2026.

A escolha abre espaço para especulações e articulações que projetam não apenas o futuro de Ricardo Vasconcelos, mas também os movimentos internos dentro da base do governo estadual.

Um padrão político revelado pelas urnas

Desde a década de 1990, Aracaju tem revelado em suas urnas um padrão político recorrente: os campeões de votos para a Câmara Municipal geralmente ganham protagonismo em esferas mais altas do poder. A série histórica comprova isso:

1996 e 2000 – Adelson Barreto (PFL/PPS)
Obteve, respectivamente, 4.599 e 4.947 votos. Depois foi deputado estadual e federal.

2004 – Fábio Henrique (PDT)
6.672 votos (2,48%). Depois, prefeito de Nossa Senhora do Socorro por dois mandatos e deputado federal.

2008 – Robson Viana (PT)
8.093 votos (2,92%). Tornou-se deputado estadual.

2012 e 2016 – Iran Barbosa (PT)
7.808 e 8.809 votos. Deputado estadual e depois federal.

2020 – Linda Brasil (PSOL)
5.773 votos. Primeira mulher trans eleita deputada estadual.

2024 – Ricardo Vasconcelos (PSD)
11.120 votos (3,66%). Hoje, pré-candidato à primeira suplência de Senado.

PSD, Mitidieri e a estratégia em curso

O fato de Ricardo Vasconcelos ser filiado ao PSD, partido do governador Fábio Mitidieri, adiciona uma camada extra à análise política. Mitidieri já declarou, em diversas ocasiões, que seu pré-candidato ao Senado para 2026 é justamente André Moura. Ao escolher Ricardo como suplente de Moura, o movimento político parece transcender a aliança pessoal: pode estar sendo costurado com aval direto do Palácio dos Despachos.

Diante disso, a pergunta que se impõe nos bastidores é inevitável: Ricardo Vasconcelos seria uma indicação do governador Fábio Mitidieri? E, sendo assim, seriam Mitidieri e Moura os padrinhos políticos que preparam Ricardo para algo maior em 2028?

No xadrez de 2028, as peças já estão sendo movidas em 2026

Há duas leituras principais entre analistas políticos sobre a escolha de Ricardo para a suplência:

Cenário 1 – Mandato de senador à vista:
Em caso de vitória de André Moura ao Senado, há expectativa de que ele venha a integrar o Executivo Federal, num eventual ministério ou cargo de articulação política, o que abriria a vaga para seu suplente, Ricardo Vasconcelos, assumir o mandato de senador.

Cenário 2 – Visibilidade e projeto municipal:
Outra interpretação, igualmente forte, é que a candidatura de Ricardo a suplente seja uma forma de dar visibilidade estadual e ampliar seu raio de influência, preparando-o para ser o nome do grupo Mitidieri–Moura na disputa pela Prefeitura de Aracaju em 2028.

Essa hipótese se fortalece ao lembrar que André Moura já testou sua força na capital ao lançar sua filha como candidata à prefeitura, ainda que sem vitória, mas com desempenho relevante. Agora, o nome de Ricardo Vasconcelos ganha o protagonismo e pode ser a aposta definitiva do grupo no próximo ciclo municipal, deixando de lado o ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira, que a essa altura, pelas recentes declarações de Fábio Mitidieri, já parece carta fora do baralho.

Cálculo ou convicção?

Com mais de 11 mil votos nas costas, Ricardo Vasconcelos poderia tranquilamente entrar no páreo por uma vaga de deputado estadual ou federal. Optar por uma suplência ao Senado, portanto, não é um recuo, mas um movimento de médio prazo, planejado com precisão cirúrgica.

Afinal, suplência de senador é, muitas vezes, o estágio anterior ao exercício pleno do mandato. E nesse caminho, com o apoio de dois pesos-pesados como Fábio Mitidieri e André Moura, Ricardo passa a ser visto não apenas como um vereador popular, mas como uma peça-chave no xadrez político de Aracaju.

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