Por Humberto Júnior

Sergipe avança no turismo com uma estratégia que foge do padrão de grandes volumes e aposta em diversidade, escala humana e integração territorial. O desempenho recente do setor confirma essa virada. Em 2025, o Aeroporto Internacional de Aracaju – Santa Maria registrou 1.377.686 passageiros, recorde histórico, com crescimento de 7,1% em relação ao ano anterior. A média mensal acima de 100 mil embarques e desembarques indica aumento consistente da demanda e maior visibilidade do destino.
No plano econômico, dados da Fecomércio apontam que o turismo movimentou mais de R$ 350 milhões no primeiro semestre de 2025, com projeção de superar R$ 700 milhões até dezembro. O impacto se reflete na hotelaria, na gastronomia e nos serviços, além de ampliar o tempo médio de permanência dos visitantes.
Aracaju e o litoral sul
A capital concentra um dos principais diferenciais do estado. Em poucos minutos após o desembarque, o visitante chega à orla de Atalaia, área que reúne hotéis, restaurantes, equipamentos de lazer e mobilidade urbana, mantendo padrão de limpeza e fácil circulação. A proposta urbana convive com praias de acesso simples e mar calmo.
No litoral sul, Sergipe apresenta um conjunto de praias menos adensadas e com forte apelo paisagístico. A Praia da Caueira atrai quem busca tranquilidade e contato com áreas de mangue. A Praia de Abaís preserva perfil rústico e extensa faixa de areia. Já a Praia do Saco combina dunas, piscinas naturais na maré baixa e a confluência entre rio e mar, consolidando-se como um dos cartões-postais do estado.
O turismo sergipano avança também para o interior. No agreste, o Parque Nacional Serra de Itabaiana tornou-se eixo do ecoturismo estadual. Com trilhas, áreas de mata atlântica e pontos de banho como o Poço das Moças, o parque atrai visitantes interessados em caminhadas, observação da natureza e atividades de baixo impacto ambiental.
A região abriga ainda o Parque dos Falcões, referência nacional em conservação de aves de rapina. O espaço recebe animais resgatados do tráfico, de maus-tratos ou de acidentes, muitos deles impossibilitados de retornar à natureza. Aberto à visitação, o parque promove ações de educação ambiental e apresentações orientadas, ampliando o perfil do turismo em Itabaiana e reforçando a associação entre preservação e atividade turística.
No alto sertão, Canindé de São Francisco concentra um dos cenários mais singulares do Nordeste. O passeio pelo Cânion do Xingó, no Rio São Francisco, revela paredões rochosos que contrastam com a água doce e o clima semiárido. A navegação em catamarãs transformou a região em polo turístico e ampliou a oferta de hospedagem e serviços locais.
O diferencial de Sergipe está na capacidade de reunir, em distâncias curtas, praias urbanas, litoral preservado, ecoturismo e paisagens do sertão. O modelo reduz deslocamentos, evita sobrecarga dos destinos e amplia a experiência do visitante.
Os indicadores de fluxo e faturamento confirmam a consolidação desse caminho. Sergipe cresce sem depender apenas de volume e se afirma como destino que privilegia diversidade, acessibilidade e identidade regional. É um turismo que se expande com planejamento e começa a ocupar espaço próprio no cenário nacional.





