
Num contexto de disputa por representatividade, onde as regiões lutam por espaço e voz nos parlamentos estadual e federal, o sertão sergipano permanece à margem do centro das decisões. Apesar de contar com representantes eleitos, a sensação predominante é de que falta uma liderança de fato comprometida com os interesses locais, e com força suficiente para articulá-los nos corredores do poder.
Hoje, o único deputado federal considerado, ainda que informalmente, como nome do sertão é João Daniel (PT). Com trajetória vinculada às causas dos movimentos sociais, especialmente o MST, sua atuação transborda os limites geográficos do sertão e abraça pautas estaduais e nacionais. Embora respeitado por militantes e movimentos de base, João Daniel não é percebido por muitos sertanejos como uma voz direta da região. Sua atuação, embora firme, carece de um vínculo cotidiano com as demandas específicas do interior profundo.
Na Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE), o quadro não é mais animador. O deputado estadual Chico dos Correios (PT), eleito com apoio considerável de Nossa Senhora da Glória, ainda não demonstrou protagonismo nem assumiu uma pauta sertaneja consistente. Para parte da população e analistas locais, Chico “não disse a que veio”.
Nesse vácuo de representação, surgem sinais, ainda tímidos, de um possível retorno de um nome já conhecido: o pastor Heleno Silva (Republicanos). Ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-prefeito de Canindé de São Francisco, Heleno já foi considerado uma das principais vozes do sertão e do eleitorado evangélico. Sua ligação com a Igreja do Evangelho Quadrangular, após longos anos na Igreja Universal, lhe confere uma base sólida, sobretudo nas camadas mais populares e religiosas da população.
Contudo, sua gestão à frente da prefeitura de Canindé (2013–2016), marcada por polêmicas administrativas e por um declínio de apoio político, parece ter minado parte de seu capital eleitoral. Desde então, Heleno não conseguiu mais emplacar uma vitória nas urnas. Em 2018, se candidatou ao Senado numa chapa encabeçada por Eduardo Amorim (então PSC e hoje PSDB), com André Moura, (então PSC e hoje no União) como companheiro de disputa. A chapa naufragou. Em 2022, disputou vaga na Câmara Federal e ficou com a segunda suplência, atrás de Gustinho Ribeiro e do delegado André David (ambos do Republicanos).
O que se viu, posteriormente, foi o esvaziamento de sua influência política. Heleno perdeu o comando do Republicanos, hoje sob liderança de Gustinho Ribeiro, e se afastou das figuras que ajudou a eleger, como o pastor Jony e Jairo de Glória. O trio, que outrora formava uma aliança simbólica do sertão com os evangélicos, já não caminha mais junto, nem politicamente, nem publicamente.
A pergunta que paira sobre as lideranças locais e o eleitorado sertanejo é: vale a pena apostar novamente em Heleno Silva? Seria ele o nome capaz de restituir ao sertão uma cadeira com voz ativa em Brasília? Ou seria hora de apostar em novas lideranças, com capilaridade, musculatura eleitoral e fôlego para representar os interesses de uma região que há muito clama por atenção?
Ainda é cedo para previsões. Mas é certo que, se o sertão quiser sair da invisibilidade institucional em que se encontra, precisará mais do que nomes: precisará de projetos claros, articulação política e um pacto regional capaz de unir forças além das disputas locais.





