
Em entrevista ao jornalista Luiz Carlos Focca, o deputado federal Thiago de Joaldo (PP) escancarou os motivos que o levaram a romper com o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), e com o senador Laércio Oliveira (PP). Segundo o parlamentar, com relação ao senador, o afastamento começou ainda no período pós-eleitoral, com decisões tomadas de forma unilateral dentro do partido. “O senador se resumiu à sua atuação individual, quase sempre falando em nome do partido, sendo que nós, integrantes, nunca fomos consultados”, afirmou.
“Quem casa não casa pra separar. Quem casa, casa pra conviver. Só que a partir do instante que a convivência se torna insuportável pra um ou pra outro, ou pros dois, o melhor caminho é cada um seguir o seu destino, e assim eu fiz com o Laércio Oliveira, com Jorginho Araújo, com Cláudio Mitidieri e por último com o governador Fábio Mitidieri.”
Com relação ao governador, Thiago revelou que enfrentava dificuldades para encaminhar demandas do interior do estado junto à Casa Civil e que chegou a fazer manifestações públicas de descontentamento no início do ano. “Esperei seis meses, esse desembarque meu do governo não foi da noite para o dia não. Nunca sentei com o governador presencialmente para tratar desse rompimento”, contou. Para ele, a falta de diálogo foi um sinal claro de que já não fazia mais parte do projeto. “A partir do instante que você demonstra publicamente um descontentamento e a outra parte não lhe chama para discutir a relação, é sinal de que você já não é mais importante para o projeto.”
O rompimento também foi impulsionado por divergências nas eleições municipais. Em 2023, Thiago declarou apoio à pré-candidatura de Emília Corrêa (PL) à Prefeitura de Aracaju, contrariando o grupo político de Fábio Mitidieri. “Ele me disse que ficou contrariado. Eu disse a ele: governador, entenda que eu não tenho relacionamento político nenhum com Edvaldo Nogueira, não simpatizo com a forma dele fazer política. Então eu votar em Edvaldo seria completamente contraditório pra mim. E vejo em Emília alguém que pode trazer uma renovação.”
“Muitas das parcerias que o governo tem hoje não é por conquista ou consideração. O governo criou uma rede de apoio de bastidores do poder que tem mantido muita gente meio que encarcerada a seu lado.” Ele afirmou também que desde que rompeu com o grupo tem sido alertado por amigos e familiares sobre possíveis retaliações. “O governo criou uma indústria de destruir reputações”, denunciou. Quando questionado se teme ser alvo de operações policiais, foi direto. “Não tenho dúvida. Já tô preparando minha família pra isso.”
Ao final da entrevista, Thiago mandou um recado direto ao governador e antecipou que, caso algo aconteça com ele ou com pessoas próximas, irá tornar tudo público. “Não vou silenciar. Eu vou trazer, como se fosse um BBB, de tudo que eu passar nos bastidores”, afirmou, dizendo esperar que Mitidieri não repita em 2026 as estratégias de 2022. “Que o governador confie nas suas ações e deixe que a escalação do time que vai jogar contra ele seja feita pelos partidos de oposição.”
Sobre o ambiente na Assembleia Legislativa, Thiago fez duras críticas ao secretário da Casa Civil, Jorginho Araújo. “É o cara hoje que mais tira proveito da força do Governo do Estado pra si próprio. Se você fosse um padre e abrisse um confessionário na Assembleia, pra ouvir os vinte e quatro deputados, você ia escutar coisa que só Jesus.”





