“Edvaldo, Você abriu a porta do inferno”, diz Ricardo e provoca explosão na base de Fábio

A fala contundente e agressiva do presidente da Câmara de Aracaju, Ricardo Vasconcelos (PSD), contra o ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) gerou forte tensão na base governista. Ao afirmar que Edvaldo estaria “abrindo as portas do inferno” e que “se meteu em encrenca grande”, Ricardo acendeu o pavio de uma crise política que vinha sendo gestada nos bastidores do bloco governista.

A gravidade do episódio não está apenas no tom das palavras, mas no contexto em que elas foram ditas. Vasconcelos é filiado ao mesmo partido do governador Fábio Mitidieri e ocupa posição estratégica no projeto político de André Moura (União), com quem mantém aliança pública. Ele foi inclusive anunciado como pré-candidato à primeira suplência de Moura ao Senado.

A coincidência entre os ataques verbais, a abertura de duas Comissões Parlamentares de Inquérito na Câmara Municipal, nas quais Edvaldo figura como alvo político, e a pré-candidatura do ex-prefeito ao Senado despertou suspeitas dentro e fora da base governista. Um vereador aliado de Mitidieri, em reserva, foi direto: “É muito difícil que esta missa não tenha sido encomendada”. Outro interlocutor palaciano avaliou a sequência de movimentos como “de caso pensado e amarrado”.

Para integrantes da oposição, o embate é bem-vindo. Um líder oposicionista ironizou: “Deixem eles se pegando na rinha de galo. Deixem eles errarem mais”.

A repercussão foi tamanha que o radialista Narciso Machado divulgou, em sua conta no Instagram, que uma reunião de emergência foi convocada para esta tarde, 08 de agosto, com André Moura, Ricardo Vasconcelos, o vereador Isac Silveira (União) e o próprio governador Fábio Mitidieri. O objetivo: conter o estrago.

Nos bastidores, o episódio é lido como um ensaio para isolar Edvaldo dentro do arco de alianças governista, especialmente no contexto da disputa pela segunda vaga ao Senado em 2026. Moura e Edvaldo, com relação estremecida desde 2024, podem estar reeditando o embate de 2018, mas agora dentro de um campo que, ao menos publicamente, ainda tenta preservar a aparência de unidade.

A crise está instalada, e o desfecho dependerá menos do que for dito publicamente e mais dos recados que forem trocados no silêncio das articulações.

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